No dicionário corporativo moderno, poucas palavras são tão sedutoras quanto “agilidade”. Mas há uma linha tênue, e perigosa, onde a agilidade se confunde com a pressa.
Em entrevista recente à Forbes, Augusto Martins, CEO da JHSF, desmontou a mística do crescimento rápido com uma frase que deveria estar na cabeceira de qualquer acionista: “Não existe short cut para o sucesso”.
Martins não fala da torre de marfim da teoria. Sua credencial vem de operações complexas, como a venda de uma participação relevante do Shopping Cidade Jardim em apenas 60 dias, num cenário pós-eleitoral e pré-crise das Americanas. O que permitiu esse movimento não foi sorte, nem um “hack” de gestão. Foi a profundidade.
Bancário ou Banqueiro? A mentalidade de dono
O executivo relembra uma provocação feita por seu mentor, Aloysio Faria, no início da carreira: a escolha entre ser bancário (o técnico que cumpre funções) ou banqueiro (aquele que entende o negócio integralmente). Essa distinção é a pedra angular da governança corporativa eficaz.
Muitas empresas que atendemos na LGK Gestão e Governança sofrem do que Martins chama de “visão de helicóptero”, gestores que observam o cenário de longe, mas desconhecem a engrenagem. A verdadeira governança não acontece nas nuvens; ela exige “chão de fábrica”. Exige descer à operação não para microgerenciar, mas para entender onde o valor é realmente gerado.
É sintomático que a formação de Martins inclua uma passagem pela Fundação Dom Cabral (FDC). A metodologia da FDC, que aplicamos em nossos associados, bate insistentemente nesta tecla: a excelência na execução é filha da preparação técnica, não do improviso.
A espiral do conhecimento
O conceito de carreira em “espiral” citado pelo CEO, onde se passa por diversas áreas para construir uma competência robusta, é exatamente o que falta em muitas empresas familiares e médias em expansão. Frequentemente, vemos sucessores ou executivos sendo alçados ao topo sem a base necessária para sustentar a posição.
O resultado é previsível: fragilidade na tomada de decisão.
Quando trazemos soluções como o PAEX para dentro das organizações, o objetivo é justamente eliminar o amadorismo que busca atalhos. A estruturação de processos, a clareza nos papéis dos sócios e a gestão baseada em indicadores não são burocracias; são o “treino difícil” que torna o “jogo fácil”.
O custo da consistência
A lição da JHSF é clara, o mercado premia a consistência, não a velocidade vazia. Construir uma empresa perene dá trabalho. Exige estudar quando os outros descansam, exige processos quando a intuição parece mais rápida, e exige governança quando o dono quer centralizar.
Não há caminho curto para a longevidade. Mas há caminhos mais inteligentes.
Na LGK Gestão e Governança, nossa missão é aportar a metodologia e a disciplina necessárias para que sua empresa não dependa da sorte ou de atalhos. Se o objetivo é construir um legado que sobreviva a gerações e crises, a preparação começa agora.